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Internações de brasileiros com menos de 39 anos mais que dobraram nos últimos 16 anos; especialistas apontam sedentarismo, má alimentação e estresse como fatores de risco

Por muito tempo associado ao envelhecimento, o infarto tem atingido cada vez mais pessoas jovens no Brasil. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que as internações por infarto entre pacientes com menos de 39 anos mais que dobraram nos últimos 16 anos, cenário que preocupa especialistas e reforça a necessidade de mudanças nos hábitos de vida.

A doença cardiovascular continua entre as principais causas de morte no país e, segundo cardiologistas, o crescimento dos casos entre adultos jovens está diretamente relacionado ao estilo de vida adotado nas últimas décadas, marcado pelo sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo, excesso de peso e altos níveis de estresse.

Para o cardiologista Estevão Lanna, do Hospital Orizonti, em Belo Horizonte, embora fatores genéticos e o envelhecimento natural tenham influência importante, grande parte dos fatores de risco pode ser controlada.

“Muitas pessoas convivem durante anos com o estreitamento das artérias sem apresentar sintomas. O problema ocorre quando há a obstrução completa do fluxo sanguíneo para o coração, provocando a morte de parte do músculo cardíaco”, explica o médico.

Doença silenciosa pode se desenvolver por anos

O infarto ocorre quando uma das artérias coronárias, responsáveis por levar sangue ao coração, é bloqueada. Na maioria dos casos, a obstrução é causada pelo rompimento de placas de gordura acumuladas ao longo dos anos nas paredes dos vasos sanguíneos.

Esse processo costuma ser silencioso e pode avançar sem sinais aparentes até que ocorra uma emergência médica.

Segundo especialistas, pessoas com hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade e histórico familiar de doenças cardiovasculares apresentam maior risco de desenvolver o problema.

O alerta é ainda maior para quem possui parentes de primeiro grau que sofreram infarto precocemente, antes dos 55 anos, no caso dos homens, ou antes dos 65 anos, entre as mulheres.

Nessas situações, o acompanhamento médico regular e a realização de exames preventivos tornam-se fundamentais para identificar alterações antes que a doença se manifeste.

Dor no peito é o principal sintoma

Embora o infarto possa se desenvolver silenciosamente, seus sintomas geralmente surgem de forma súbita e exigem atendimento imediato.

O sinal mais característico é uma dor intensa no peito, frequentemente descrita pelos pacientes como uma sensação de aperto, pressão, peso ou queimação.

A dor também pode irradiar para outras partes do corpo, principalmente braço esquerdo, ombros, costas, pescoço e mandíbula.

Além disso, suor frio, falta de ar, náuseas, tontura, palidez e sensação de mal-estar intenso podem acompanhar o quadro.

“Quando esses sintomas aparecem, especialmente associados à dor no peito, a procura por atendimento médico deve ser imediata. Quanto mais rápido o tratamento é iniciado, maiores são as chances de preservar o músculo cardíaco”, alerta Lanna.

Na cardiologia, a rapidez no atendimento é considerada decisiva para reduzir sequelas e aumentar as chances de recuperação.

Diagnóstico e tratamento precisam ser rápidos

A confirmação do infarto costuma ocorrer ainda na emergência hospitalar.

Os médicos utilizam a avaliação clínica dos sintomas, exames de sangue e o eletrocardiograma (ECG), capaz de identificar alterações características da atividade elétrica do coração.

Após o diagnóstico, o objetivo é restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo para a região afetada.

Na maioria dos casos, o procedimento mais utilizado é o cateterismo cardíaco, seguido da angioplastia, técnica que desobstrui a artéria por meio da implantação de um stent.

Em situações específicas, também podem ser utilizados medicamentos trombolíticos para dissolver os coágulos responsáveis pelo bloqueio.

Mudança de hábitos é essencial após o infarto

Sobreviver a um infarto representa apenas a primeira etapa do tratamento.

Especialistas destacam que a recuperação exige acompanhamento contínuo e mudanças permanentes no estilo de vida para evitar novos eventos cardiovasculares.

O processo envolve uma equipe multidisciplinar composta por cardiologistas, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos.

A adoção de uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercícios, o abandono do cigarro, o controle do peso corporal e a adesão aos medicamentos prescritos estão entre as principais recomendações.

“O período após o infarto é uma oportunidade para que o paciente reveja sua relação com a própria saúde. O tratamento não termina na alta hospitalar; ele continua diariamente por meio das escolhas feitas ao longo da vida”, afirma o especialista.

Prevenção continua sendo a melhor estratégia

Apesar dos avanços nos tratamentos cardiovasculares, médicos reforçam que a prevenção ainda é a forma mais eficaz de combater o infarto.

Manter hábitos saudáveis, realizar consultas periódicas e monitorar fatores como pressão arterial, colesterol e glicemia são medidas capazes de reduzir significativamente o risco da doença.

Diante do crescimento dos casos entre jovens adultos, especialistas alertam que o infarto deixou de ser uma preocupação exclusiva da terceira idade e passou a exigir atenção de todas as faixas etárias.

A mensagem dos cardiologistas é direta: cuidar da saúde cardiovascular deve começar muito antes dos primeiros sintomas aparecerem.

Foto: Magnific

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