Há poucos dias assisti a um daqueles filmes clássicos estadunidenses lançado em 1956: “Assim caminha a humanidade”. Um filme da época de ouro de Hollywood, dirigido por George Stevens. Um elenco formado por nada menos que Elizabeth Taylor – uma das maiores lendas do cinema – e, Rock Hudson – um dos maiores intérpretes do cinema – além de James Dean. A trama envolve quatro gerações de uma rica família texana – os Benedict – e suas influências.
Muitas lições podem ser compreendidas a partir desse belíssimo clássico do cinema. Porém, como educadora desejo pautar-me na relação familiar, principalmente no que diz respeito ao pai, Bick Benedict – um riquíssimo pecuarista texano – interpretado por Rock Hudson.
Bick Benedict, casa-se com Leslie – interpretada por Elizabeth Taylor – filha de um fazendeiro de Maryland. Assim que Leslie chega à mansão “Rancho Reata” no meio do nada, no Texas, ela tem um choque de realidade, mas não se deixa abater. Depara-se com uma cunhada hostil, funcionários desrespeitados vivendo de maneira precária, pois seu esposo investia todo o lucro na pecuária. Ao tentar convencer o esposo de que era possível continuar tendo bons resultados, porém valorizando os empregados, ela se depara com um homem que deixa claro que as tradições familiares vão permanecer a qualquer custo.
Os filhos chegam, a família cresce… Um menino e duas meninas. No entanto, a mentalidade de um homem que construiu um grande legado do ponto de vista econômico, continua irreversível no que diz respeito às tradições familiares. Ou seja, os filhos, principalmente o menino, deveriam dar continuidade a esse legado preservando as propriedades e a pecuária bem sucedida. Não havia espaço para aceitação de outras escolhas por parte dos filhos.
Dessa forma, conforme os filhos vão crescendo, os relacionamentos começam a dar sinais de ruptura. Muita imposição e nenhuma afetividade, nenhum diálogo efetivo, principalmente, com o filho que desde cedo sinalizava que sua escolha não seria dar continuidade ao legado da família Benedict como os top da pecuária texana. Sendo assim, Leslie, a mãe, assume o papel de mediadora diante de tantos conflitos.
Enfim, todos os filhos da ilustre família Benedict traçaram destinos opostos ao desejado pelo pai, Bick Benedict. Mesmo desafiando o pai em suas escolhas pessoais e profissionais torna-se visível a insatisfação no meio familiar mesmo após o surgimento dos netos.
Já em idade avançada ele se reconhece um empresário, um homem, um pai de família fracassado por não conseguir fazer com que os filhos dessem continuidade ao legado deixado por seu avô, seu pai e ele. Isso tudo ocorreu por sua dureza, por sua inflexibilidade. Sua mentalidade foi moldada por um passado que não existia mais, pois o progresso batia às suas portas.
Embora esse lindo clássico nos reporte à década de 50, é muito comum, em pleno século XXI, encontrarmos famílias vivenciando situações semelhantes no que diz respeito à educação dos filhos.
Como orientadora educacional por duas décadas num importante sistema de ensino, pude vivenciar inúmeros atendimentos onde filhos expressavam profundas insatisfações quanto à inflexibilidade, a falta de afeto e diálogo saudável no ambiente familiar, como também, imposições quanto às suas escolhas pessoais e profissionais.
É fundamental que a família tenha clareza de que uma família saudável se constrói não só com o capital econômico, mas sim, com clareza nas relações e nos diálogos, com afetividade, com firmeza e respeito ao outro. A construção de memórias afetivas é de fundamental importância. Quando assim se criam os filhos, a distância geográfica jamais será problema. Estes sempre retornarão para se reabastecerem no aconchego da família que sempre foi a sua “fortaleza”, o seu “bastião”.
O papel da família é educar segundo os valores e princípios defendidos por ela, orientando os filhos em suas escolhas para que cresçam saudáveis não só física, mas emocionalmente e espiritualmente. A responsabilidade e a autonomia devem fazer parte dessa formação.
Que as nossas famílias possam chegar à fase adulta com uma conclusão totalmente oposta à do senhor Benedict. Apesar de ser um homem de sucesso nos negócios, tornou-se um fracasso como pai de família e esposo. Que Deus abençoe as nossas famílias!
















