A Copa do mundo não nos ensina apenas sobre resultados, altas performances, egos inflados, disputas econômicas. Ela nos permite fazer uma análise sobre o que é invisível diante dos holofotes nos grandes e luxuosos estádios e hotéis dos EUA, México e Canadá durante esse evento que atrai os olhos do mundo inteiro.
Os times de cada seleção variam entre vinte e três a vinte e seis atletas, por regra. É aqui que começa a nossa leitura sobre o invisível. É óbvio, ninguém nasce campeão em nenhuma categoria nessa vida por mais que existam habilidades afloradas desde a infância.
Se olharmos para a história de vida da grande maioria das referências mundiais no futebol, encontraremos trajetórias construídas a partir de um sonho em meio à fome, escassez em todos os sentidos, privações, humilhações, medos, inseguranças e até mesmo rejeições e abandonos.
Porém, em sua grande parte, encontramos a figura da família. A presença de um pai, de uma mãe, de uma avó que teve a sensibilidade em perceber as habilidades do filho ou neto sem desprezar o talento desde muito cedo. Mesmo em meio à pobreza econômica, esses se comportaram como pessoas ricas no que diz respeito a investimento. Investimento este de tempo, de afeto, de busca por uma oportunidade, de incentivo em meio a escassez, mesmo muitas vezes faltando o pão de cada dia para todos.
Antes de se tornar o jogador seleto, existe a casa, a família, o menino cheio de sonhos. E aqui quero destacar a camada mais profunda de todo esse processo de construção de um campeão: a educação familiar. Pode faltar tudo em uma família, porém, jamais deve faltar a educação familiar. A base sobre a qual toda trajetória de sucesso é construída. É onde os princípios e valores são impressos no cotidiano do grupo familiar.
Essa base invisível é que sustenta qualquer projeto de vida. Ninguém vê o alicerce de uma casa, de um prédio, mas ele está lá de forma invisível dando sustentação. A essa base chamo de respeito, disciplina, foco, resiliência, responsabilidade e autonomia. Durante esse processo de formação deve existir a intencionalidade por parte dos responsáveis, ou seja, é a família ter a clareza do porquê e para que estão educando os filhos. Só assim, eles se tornarão adultos que sustentam resultados apesar de qualquer turbulência a que todos nós estamos sujeitos.
Uma das grandes dificuldades nas famílias e nas empresas brasileiras não é a falta de vontade para vencer, mas sim, a falta de direção e foco em relação aos seus objetivos. Porém, no nosso futebol ao longo da história podemos encontrar famílias que apesar do pouco conhecimento e quase nenhum recurso financeiro conseguiram fazer com que seus filhos superassem inúmeros obstáculos tornando-os verdadeiros campeões nas mais diversas áreas da vida. Elas definiram qual a direção seguir e focaram nos resultados ainda que a médio e longo prazo. Foram estrategista.
Assim como no esporte, a disciplina e o rendimento não são opcionais para uma vida bem-sucedida. A família necessita compreender que o “não” é fundamental para que a criança desde cedo aprenda a lidar com regras, horários, responsabilidades e respeito. Dessa forma os filhos crescem preparados para conviver em qualquer situação de pressão e ainda assim produzirem bons resultados.
Afinal, o que mantém um jogador de futebol ou qualquer outro profissional bem-sucedido em relação à fama, ao dinheiro e a grandes exposições, não é técnica e nem conhecimento – é a sua identidade. É sempre ter a clareza de quem a pessoa é, de onde saiu e qual o seu real propósito nesta vida. E isso é uma construção no ambiente familiar por meio de ações e palavras que o público não vê e nem ouve. Porém é um invisível “super power”.
Por trás de todos esses atletas de alta performance, como também, de todo profissional bem-sucedido, sempre existiram incentivos, correções, apoio emocional e muita fé por parte da família. Isso faz toda a diferença.
A pergunta que fica é:
Que tipo de educação familiar estamos proporcionando aos nossos filhos? Aprendamos com as famílias dos atletas do futebol: os gramados apenas revelam o que foi construído no invisível.
















