Nesses últimos dias, o assunto do momento nos meios de comunicação e nas redes sociais são os jogos da Copa do Mundo. Com isso, inúmeros temas relevantes têm ficado à margem. Assim sendo, escolhi esse assunto tão em evidência para pensar um pouco sobre formação de filhos, sobre educação familiar e escolar.
A Fifa estima que bilhões de espectadores assistam aos jogos com milhões sintonizados ao mesmo tempo em partidas decisivas. Isso significa que cada seleção e em particular, cada atleta, está exposto às mais diversas cobranças do público em geral. Um evento como esse não é só sobre futebol, existem muitos aspectos a serem pensados e analisados.
Portanto, escolhi um que julgo ser essencial para a vida de todo ser humano – a disciplina. Nas últimas décadas, temos observado uma confusão conceitual em relação à disciplina. Sabe aquele adágio que diz: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”?
Pois bem, o conceito de disciplina vem sendo associado a outro conceito que não tem nada a ver com ele – o autoritarismo. A disciplina passou a ser associada a controle excessivo, rigidez e opressão, quando em sua essência, ela diz respeito a constância, limites, construção de referências e organização interna.
Voltando para os jogos da Copa do Mundo, eu fico a pensar: será que a disciplina não fez parte da formação das estruturas física e interna daqueles jogadores, a ponto de serem selecionados a exporem suas habilidades e talentos a bilhões de pessoas? Sabe por quê? Disciplina é você fazer o que deve ser feito – mesmo desejando não fazer – até dar certo. Ou seja, não é fazer somente o agradável, mas sim, fazer o que é necessário.
Um atleta, um jogador de futebol em um momento decisivo, mantém o foco mesmo que da arquibancada sejam proferidas inúmeras palavras ofensivas; mesmo que seu adversário o confronte. Por que isso é possível? Porque a sua organização interna foi forjada através da disciplina e do foco – independente das vozes externas. Essas referências do futebol que conhecemos ao longo da vida não foram construídas com autoritarismo, até porque este é doentio, é narcisista e maquiavélico. Já a disciplina e o foco fazem parte de uma construção saudável de um passo a passo, porém de maneira constante.
O que isso tem a ver com educação familiar e escolar?
Tem tudo a ver. Ao mesmo tempo que essa confusão conceitual veio sendo disseminada na sociedade, a família como primeiro grupo social, responsável pela educação dos filhos, passou a assimilar e a implementar tal conceito. Com isso, a permissividade passou a fazer parte da educação familiar para desvincular-se do conceito de autoritarismo, “pregado” pelos adeptos dessa liberdade. Dessa forma, a figura da autoridade paterna e materna aos poucos foi se deteriorando. Que, aliás, é outro conceito associado ao autoritarismo – a autoridade. Diante desse movimento, temos vivenciado uma educação familiar rasa e frágil. Uma geração insegura e sem estrutura interna para enfrentar os desafios da vida que não são poucos. O “não” deixou de existir na educação dos filhos e com isso os pais têm se tornado reféns dos desejos e das vontades de seus filhos.
Esse movimento familiar se consolidou na educação escolar. A educação no Brasil vive uma crise de “educação”. Hoje, não se sabe mais o que é limite, disciplina, respeito, organização, empatia…Isso tudo é essencial na formação de qualquer ser humano. Sem essas prerrogativas, torna-se impossível uma convivência saudável que proporcione conhecimento e crescimento.
A escola brasileira convive diariamente com o “desgoverno” da educação familiar. Tornou-se uma “queda de braço” entre essas duas instituições pela exigência familiar em relação às permissões vividas pelos filhos no seio da família. Isso tem contribuído para o adoecimento dos profissionais da educação e para uma formação de baixa qualidade no campo educacional brasileiro. Campeões não se formam em meio a desgovernos, a permissividades. Quando falo de campeões não me refiro apenas a atletas do futebol e tantos outros, mas a todos aqueles que conseguem desbravar caminhos – com disciplina – na vida pessoal, familiar e profissional todos os dias. Portanto, disciplina não é e jamais será opressão, mas sim, uma questão de formação saudável, uma questão de sobrevivência















