O cenário no ambiente escolar do Ensino Fundamental e Médio num segundo semestre é totalmente inverso ao início do ano escolar. O clima é mais quente e seco e, normalmente, as salas de aula no Brasil não são climatizadas; tanto os professores quanto os alunos já se encontram cansados, desmotivados e estressados; a cobrança da família sobre os professores/coordenação pedagógica aumenta consideravelmente. É nesse período e, principalmente, no final do ano, que muitas famílias se lembram de procurar a escola. É quando começam a perceber que existem problemas a serem resolvidos. Essa atitude é mais comum do que imaginamos.
A ansiedade é outro inimigo a ser vencido principalmente pelos alunos que precisam recuperar os resultados escolares do primeiro semestre; a ansiedade, também, recai sobre o professor, pois este é diariamente cobrado em relação aos resultados e práticas de seus alunos. Os resultados lhes são exigidos, porém as condições de trabalho e os recursos necessários nem sempre são compatíveis com o que lhes são solicitados.
Esse é o cenário na grande maioria das escolas brasileiras. Onde sobram exigências falta o necessário: recursos, condições dignas de trabalho, ambiente saudável, profissionais técnicos especializados para apoio tanto do professor quanto do aluno, como: orientadores educacionais, psicólogos educacionais, assistentes sociais, médicos e enfermeiros para emergências e orientações. Eu me refiro a profissionais em cada escola e não a atendimentos por núcleo, por área porque só uma escola já possui demandas suficientes para todos esses profissionais.
Tenho a liberdade de falar sobre esse assunto, pois minha trajetória profissional foi construída no campo educacional. Houve momentos de atuação como professora, gestora pedagógica e, nos últimos anos, como orientadora educacional de um sistema de ensino que me fez perceber que quando se leva a educação a sério, é possível fazer com que os alunos consigam construir suas trajetórias escolares e profissionais de forma bem-sucedida. Vivi muitos “segundos semestres” dentro de instituições escolares e, por esta razão, desejo pontuar algumas questões que julgo relevantes para que o resultado escolar no final do ano seja conforme o esperado tanto para o aluno, quanto para a família e a escola.
Primeiro, compreender que o segundo semestre não é continuação; ele é um ponto de decisão, de definição de resultados. Para tanto, faça uma leitura crítica sobre as suas práticas, seus habitus durante o primeiro semestre. E aqui proponho esse desafio tanto para você, estudante, como também para a sua família como principal responsável pela educação dos filhos.
Segundo, faça um plano que seja real, possível de executar. Comece estabelecendo metas alcançáveis. Escreva quais estratégias (como) fará para alcançar as suas metas nos estudos. Procure ser consistente e persistente. Seja disciplinado, faça o que planejou, persiga suas metas mesmo que esta não seja a sua vontade no momento, isso é disciplina. Procure manter o foco, não se distraia com outras vozes, outras sugestões, outros ruídos. Evite ao máximo as distrações, estabeleça prioridades. Comece fazendo isso por uma semana e depois vá ampliando suas ações. Quem não define foco se satisfaz com qualquer resultado.
E por último, o principal: a família como estrutura invisível. Parece clichê, mas não existe outra palavra para definir o papel da família na educação dos filhos – ela é a base. Assim como uma construção não subsiste com uma base mal construída, a família e a educação dos filhos também, não subsistem. A família é a responsável pela organização do ambiente de estudo, pela rotina e pelo apoio necessário aos filhos. Outro aspecto fundamental é a participação da família nas atividades escolares de seus dependentes, não só para buscar boletins, reclamar dos resultados escolares…ser efetivamente presente na educação dos filhos. Isso os fará se sentirem mais seguros, mais motivados, mais amados e consequentemente refletirá nos seus resultados escolares e na sua trajetória de vida.
A escola ensina, porém o arco que sustenta as flechas e as lança ao futuro é a família.















