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Arthur Maximilliano

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Mato Grosso do Sul registrou 34.031 admissões com carteira assinada em junho de 2026. No mesmo período, ocorreram 31.956 desligamentos. O saldo foi positivo em 2.075 postos de trabalho, elevando para 683.420 o número de vínculos formais ativos no Estado.

Os números são positivos, mas também provocam uma reflexão importante para os empresários: não basta contratar. É preciso conseguir manter, desenvolver e aproveitar melhor as pessoas que entram na empresa.

Quando comparamos os dois movimentos, foram quase 94 desligamentos para cada 100 admissões realizadas no mês. Isso não significa que as mesmas pessoas contratadas foram desligadas, mas demonstra a intensidade da movimentação no mercado de trabalho.

As empresas contratam muito, mas também perdem muita gente.

É claro que os desligamentos possuem diversas causas. Existem demissões, pedidos de saída, encerramento de contratos, mudanças sazonais e movimentações naturais do mercado. Ainda assim, os dados ajudam a mostrar que a gestão de pessoas não pode terminar quando o funcionário assina o contrato.

A contratação é apenas o começo.

Muitas empresas dedicam tempo para divulgar vagas, analisar currículos, entrevistar candidatos e escolher novos profissionais. Depois da admissão, porém, o cuidado diminui. O funcionário entra sem uma integração estruturada, recebe orientações diferentes de cada pessoa e precisa descobrir sozinho como a empresa funciona.

Quando isso acontece, até uma boa contratação pode dar errado.

A pessoa não sabe exatamente o que se espera dela. Não entende os critérios de avaliação, as prioridades do cargo ou os comportamentos valorizados pela empresa. O líder acredita que explicou, o funcionário acredita que entendeu e, algumas semanas depois, começam as cobranças, os conflitos e as frustrações.

Em muitos casos, o problema não estava no profissional contratado. Estava na forma como ele foi recebido, orientado e liderado.

O mercado de trabalho de Mato Grosso do Sul apresentou saldo positivo nos cinco grandes setores da economia em junho. O Comércio criou 629 postos formais, seguido por Serviços, com 505; Construção, com 332; Indústria, com 323; e Agropecuária, com 286.

Isso significa que diferentes setores estão disputando trabalhadores ao mesmo tempo. Em um mercado aquecido, o profissional também possui mais alternativas. A empresa que não oferece clareza, liderança minimamente preparada e perspectiva de desenvolvimento tende a perder pessoas para organizações mais estruturadas.

A remuneração continua sendo importante. O salário médio de admissão em Mato Grosso do Sul foi de R$ 2.282,70 em junho, enquanto a média nacional ficou em R$ 2.404,34.

Mas salário não explica tudo.

Pessoas também deixam empresas por falta de organização, comunicação ruim, liderança despreparada, ausência de reconhecimento, excesso de improviso e pouca perspectiva de crescimento. Um bom salário pode atrair alguém. Dificilmente consegue, sozinho, sustentar o vínculo no longo prazo.

É por isso que retenção não deve ser entendida apenas como uma atribuição do setor de recursos humanos. Ela é consequência da gestão praticada todos os dias.

A retenção começa quando a empresa possui funções claras. Fortalece-se quando o profissional entende como pode crescer. Aumenta quando o líder sabe acompanhar, orientar e dar feedback. Torna-se mais consistente quando existe coerência entre o que a empresa promete na contratação e aquilo que realmente oferece na rotina.

Outro erro frequente é acreditar que todo desligamento acontece porque “as pessoas não querem mais trabalhar”. Essa explicação pode ser confortável, mas impede que o empresário examine a própria organização.

A empresa oferece treinamento adequado? O novo funcionário sabe o que precisa entregar? Existe acompanhamento durante os primeiros meses? Os líderes estão preparados para conduzir pessoas? A rotina permite que alguém trabalhe bem ou tudo depende de improviso?

Essas perguntas são mais úteis do que simplesmente culpar o mercado.

Contratar mal gera custo. Integrar mal também. Cada saída representa perda de tempo, conhecimento e produtividade. Além disso, exige uma nova seleção, novas entrevistas e um novo período de adaptação. Quando esse movimento se repete, a empresa entra em um ciclo permanente de contratação sem conseguir consolidar uma equipe.

O desafio não é manter todos a qualquer custo. Há desligamentos necessários e saudáveis. O problema aparece quando a empresa perde bons profissionais por falhas que poderiam ser evitadas com mais organização, liderança e clareza.

Os dados de Mato Grosso do Sul mostram um mercado em crescimento. Mas também lembram que geração de emprego e retenção de talentos são desafios diferentes.

Abrir uma vaga é uma decisão empresarial. Preenchê-la exige recrutamento. Fazer com que aquela pessoa produza, evolua e permaneça exige gestão.

Talvez a pergunta mais importante para o empresário não seja apenas quantas pessoas sua empresa contratou neste ano.

A pergunta é: quantas dessas pessoas encontraram uma empresa preparada para fazê-las permanecer?

Fonte dos dados

Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego, referente a junho de 2026, e Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Arthur Maximilliano

Sócio fundador e Diretor de Estratégia (CSO) da RetenMax, empresa de consultoria empresarial com foco em gestão, cultura e tecnologia. Engenheiro de Produção formado pela UFMS, possui especializações em Gestão, Liderança e Inovação, além de formação em Marketing Digital e Business Intelligence e tem MBA em Inteligência Artificial e Big Data pelo IBMEC. Atua também como professor universitário, palestrante e é autor do livro Sussurros Empresariais, escrevendo sobre liderança, integridade, inovação e o futuro das organizações. | @arthurmaxnl

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