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MIRIAM ABREU

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Salomão, o rei mais sábio, segundo a Bíblia, deixou-nos esse precioso ensinamento:“A sabedoria está clamando, o discernimento ergue a sua voz; nos lugares altos, junto ao caminho, nos cruzamentos ela se coloca; ao lado das portas, à entrada da cidade, portas adentro, ela clama em alta voz” (Provérbios 8:1-3 Nova Versão Internacional).

É fundamental termos a clareza de que educação não é apenas transmissão de conteúdos, seja na família, na escola ou na universidade. Certo é que o conhecimento nos liberta de muitas amarras; porém, a sabedoria nos ensina como aplicar esse conhecimento em nosso cotidiano. Desta forma, a educação precisa, também, ser compreendida como aquela que ensina os códigos, os critérios de como construir uma trajetória de vida saudável e produtiva.

Compreendo, segundo o texto acima, que a sabedoria não se coloca de forma inacessível, escondida. Ela está presente em nossas escolhas do dia a dia, nos encontros, nas ruas, em nossas relações familiares e sociais, clamando para ser ouvida. A pergunta que surge é: se a sabedoria está clamando em todos os lugares, por que tantas pessoas continuam a tomar decisões inadequadas? Se o discernimento ergue a sua voz, por que tantas escolhas distorcidas?

Fato é que vivemos em um tempo de excesso de informações, de conhecimento, de relações virtuais, entretanto, saber tanto e se relacionar tanto não significa que estamos sabendo viver. Não podemos confundir conhecimento com sabedoria. Conhecimento é o que sabemos, aprendemos. São teorias, informações, conceitos e experiências. Já a sabedoria é quando eu sou capaz de aplicar o meu conhecimento e as minhas experiências com equilíbrio, com maturidade na minha vida prática. É o como eu aplico todo o conhecimento e experiências adquiridas ao longo da vida. O discernimento é quando consigo separar o essencial do superficial, o verdadeiro do falso. E mais, sabedoria e discernimento não tem nada a ver com idade, tempo vivido. Em qualquer idade podemos escolher ser sábios e termos discernimento para fazermos nossas escolhas.

O maior desafio da educação na contemporaneidade, seja na família, na escola ou na universidade, é o ensinar a pensar de forma amadurecida e equilibrada. Porém, temos o dever de instigar e ensinar nossas crianças, adolescentes e jovens a fazerem perguntas como: isso que estou vendo, lendo ou ouvindo é certo, é adequado? Por que eu devo ouvir ou fazer e quais são as consequências disso? A minha escolha vai prejudicar alguém? É o momento de eu decidir? Eu tenho conhecimento suficiente sobre o assunto para decidir? O que existe nas entrelinhas de tudo que estou a ouvir, vendo e lendo? O que o bom senso está a me dizer neste momento? Precisamos formar cidadãos capazes de fazer boas escolhas e não apenas acumular informações e conhecimentos.

O texto de Provérbios fala que a sabedoria também se posiciona nos cruzamentos. E esses cruzamentos podemos compreender como os vários momentos da vida de nossos filhos e estudantes. São as encruzilhadas da vida nas quais precisarão tomar decisões que definirão seus destinos. E essas decisões dizem respeito a amizades, dinheiro, honestidade, relacionamento, sexualidade, escolha profissional, ética, consumo, redes sociais, parcerias, pressão de grupos e tantas outras questões. A pergunta é: o que estamos ensinando a eles para quando chegarem às encruzilhadas da vida e nós, como famílias e educadores, não estivermos lá para auxiliá-los na tomada de decisões assertivas? Isso é educar para a vida.

É fundamental termos a clareza de que ensinar pelo discurso é muito importante, porém ensinar pelo exemplo é indispensável. Você deve se lembrar do seguinte adágio: “A palavra convence; o exemplo arrasta”. Como família, ensinamos nossos filhos e netos quando passamos no sinal vermelho no trânsito, quando conversamos em família, quando contamos uma “mentirinha”, quando tratamos alguém e sua família com respeito, quando furamos uma fila, quando reconhecemos o erro, quando pedimos desculpas, quando agimos com responsabilidade, quando falamos palavrão etc. Percebe o valor e a necessidade da sabedoria em nosso cotidiano? Uma vez, após o atendimento de uma família no colégio onde eu trabalhava, ouvi uma amiga psicóloga dizendo assim: “Miriam, o fruto não cai longe do pé.” Quanta verdade nesta frase.

O texto ainda fala que “a sabedoria clama” e o discernimento “ergue a sua voz”. Existe uma grande diferença entre falar e alguém estar disposto a escutar. Finalizo deixando um desafio a todos nós: vamos ouvir o clamor da sabedoria e a voz do discernimento para que tenhamos uma vida próspera e em paz.

Os artigos publicados são de responsabilidade dos colunistas e não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Total News

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Miriam Abreu

É doutora e mestre em Educação pela (UFMS). Especialista em Orientação Educacional e Psicopedagogia pela (UFRRJ/CEP-EB). Pedagoga habilitada em Orientação Educacional (FUCMT)  e Supervisão Escolar (Faclepp). Consultora Educacional, palestrante e escritora. | @miriam_abreu65

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